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Invasão
INVASÃO
Eu pensei um dia
Rabiscar meu nome
Em tua porta aberta.
Entrar sem cerimônia
Em tua casa pela frente.
Marcar meu lugar
Em teu suntuoso sofá.
Invadir insolente
Teu quarto proibido.
Deitar preguiçoso
Em tua cama quente
E dormir sem pudor
Meu sono inocente.
Desperto, vagar em tua morada
Como um pássaro liberto.
Na cozinha, abrir a geladeira
E furtar teu alimento.
Ser imprudente,
Deixar vestígios,
Sujar a xícara de café;
Derramar no piso o leite,
Esfarelar sobre a mesa o pão...
Fartar-me como um bufão.
Saciada a vontade imprudente,
Voltar ao quarto por deleite.
Fuxicar tuas gavetas,
Revirar teus pertences.
Lerei teus diários antigos
Para saber do teu presente.
Incomodar-me o espírito
Ao descobrir teus quereres.
Quiçá, lágrimas deixarei
Como prova de minha estada
Em manchadas folhas amarelas
Minha curiosidade assim matada.
Pegadas inusitadas
No piso claro ficarão.
Tapetes fora de lugar
Tuas roupas pelo chão.
Bagunçar tua vida organizada,
Demarcar o território conquistado
E sair sem desespero
Como se faz um bom ladrão.
Um dia marcarei tua porta
Com meu nome
Escrito à mão.
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