Esta noite adormeço sozinho
Sem esperanças, sem sonhos, sem objetivos
Esta noite rolo na cama despido de crenças
Incomodado com as maldades do meu mundo.
Escrevo as mágoas amarguradas nuas,
Minhas quimeras estúpidas
Lançadas a esmo num papel de mentiras
Que me orgulho de nunca ter dito.
A noite é longa demais para minhas dores
O relógio dos meus dias não anda um segundo.
Tudo parece converter-se em nada
E o nada na verdade é tudo o que tenho.
Vivendo na solidão feroz de meu tempo
As marcas da experiência me molestam
E o rosto antes pueril agora de vincos se enche
E as lágrimas tanto despendidas secam.
O amanhã é uma ilusão descontente
Um estúpido desejo de recomeçar
Mas sem antes acertar o que terminou,
De forma deprimente, com a vontade.
Em coma induzido pela razão medíocre
Entorpeço o peito agoniado de delírios
Não. Fecho os olhos ao amor que me lacera
E tento ainda contra o ar sujo que respiro.
Adormeço sozinho esta noite
Agarrado aos meus travesseiros.
Sozinho esta noite em delírios
Tomando os meus tristes sonhos.
Sonhos, se eu os tivesse
Não estaria em mágoas escrevendo
As agonias vívidas no espírito clandestino
Nesta viagem estúpida da vazia vida.
Esta noite, adormeço sozinho.
Autor(a):
Alberto da Cruz
Fonte:
Criação própria
Cadastrada por:
Junior
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