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O QUE SE APAGA
A chama ardeu monstruosa
Queimou tudo ao redor
Em brasas devastou sem piedade
Mas agora se apaga.
Não há fogo que perdure a eternidade
Não há pira que se firme em fealdade
Nem amores que sublimem o espírito
Tampouco paixões perpetuadas na alma.
Tudo se finda, basta ter início
Um fósforo começa o incêndio
Uma centelha destrói um edifício
Ausência causa esquecimento.
A chuva apaga a fogueira
O ardor se finda com o frio
As brasas terminam em cinzas
Do amor, as cicatrizes ficam.
O tempo se encarrega do destino
A dor é voraz, mas acordar é preciso.
Não há tristeza que dure o infinito
Nem mágoa que resista ao estio.
Passa, tudo passa nesta vida sem sentido
Até mesmo a melancolia da partida.
Tudo passa, até mesmo a mácula
De um verdadeiro amor perdido em mentiras.
Se a chama ardia, já não arde.
Se o fogo queimava, já não queima.
Se as feriadas doíam, já não doem.
Se o coração aquecia, já não aquece,
— agora é frio.
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